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Só quem tem miopia alta vai entender esses relatos reais

Eu já ouvi muitos relatos de pessoas com miopia alta, mas hoje eu quero contar o meu, como tudo começou. Eu tinha apenas 3 anos quando descobri minha miopia degenerativa e, naquela fase, eu não entendia o que aquilo significava. Pra mim, o importante era conseguir enxergar a televisão para assistir meus desenhos, ver os objetos para comer, brincar e viver o meu dia a dia. Eu ainda não tinha noção de convivência com outras pessoas fora da família, não sabia o que era preconceito e nem imaginava como isso poderia impactar minha vida no futuro, era uma fase muito inocente e talvez por isso tudo parecia mais simples. Mas ao mesmo tempo, os adultos ao meu redor já estavam preocupados. Eu passei por vários testes com os médicos, eles queriam entender até onde ia a minha visão e como aquilo poderia evoluir. Chegaram até a avaliar se, no futuro, eu precisaria de um cão-guia e fizeram testes comigo caminhando na rua para ver a distância que eu conseguia enxergar naquele momento. No final, concluíram que, por enquanto, o meu caso seria tratado com o uso de óculos de alto grau e, de certa forma, aquilo trouxe um alívio. Mas não foi fácil. Eu já comecei com cerca de -8 graus de miopia e a adaptação aos óculos foi difícil no início, era estranho, desconfortável, diferente de tudo que eu conhecia. Só que, com o tempo, eu me acostumei e depois disso eu não tirava mais o óculos para nada.

Relatos reais: quando comecei a perceber a diferença, o preconceito e a autoestima com miopia alta

Quando eu comecei a ir pra escola, foi aí que eu realmente comecei a perceber que eu era diferente. Até então, eu vivia mais no meu mundo, com a minha família, mas na escola tudo muda. Eu comecei a notar que eu era a única criança que usava um óculos tão forte. Enquanto as outras crianças enxergavam o quadro normalmente, eu precisava sentar mais perto, e mesmo assim, às vezes ainda tinha dificuldade. Teve momentos em que eu copiava errado porque não conseguia enxergar direito, e naquela idade eu nem sabia explicar o que estava acontecendo, eu só sentia. Sentia que precisava me esforçar mais que os outros pra fazer coisas simples, e foi aí que eu comecei a perceber que a miopia não era só sobre enxergar, ela também começava a afetar como eu me sentia.

Com o tempo, além da dificuldade, vieram os comentários. No começo eram coisas pequenas, risadinhas, olhares, apelidos. Coisas que muita gente pode achar bobeira, mas que pra uma criança ficam marcadas. Eu lembro de momentos em que me senti diferente de um jeito que não era bom, como se eu não me encaixasse. E o mais difícil é que eu não tinha maturidade pra entender que aquilo não definia quem eu era, eu só queria ser igual aos outros. Essa fase mexe muito com a gente, porque não é só sobre o óculos, é sobre aceitação, e isso pra uma criança pesa mais do que parece.

Na adolescência, tudo fica mais intenso. A aparência começa a ter mais importância, a opinião dos outros pesa mais e a autoestima fica mais sensível, e ter miopia alta nesse período não é fácil. Eu já me senti insegura várias vezes, já pensei se as pessoas me viam de forma diferente por causa do óculos, já quis me esconder em alguns momentos. Ao mesmo tempo, é uma fase em que a gente começa a entender melhor quem é, e aos poucos eu fui aprendendo a me aceitar. Não foi do dia pra noite, foi um processo. Hoje eu olho pra trás e vejo que tudo isso fez parte da minha construção, e é por isso que eu falo sobre miopia aqui, porque eu sei que tem muita gente passando por essas fases agora. Se você já viveu ou está vivendo algo parecido, saiba que você não está sozinho, e sua história também importa aqui.

Parte 5: vida adulta, trabalho e os desafios reais da miopia alta

Quando a gente chega na vida adulta, parece que tudo já deveria estar resolvido, mas pra quem tem miopia alta alguns desafios continuam, e outros até começam. No trabalho, por exemplo, nem sempre as pessoas entendem. Já teve momentos em que eu precisei me esforçar mais pra enxergar detalhes na tela, ler informações pequenas ou acompanhar atividades que pra outras pessoas eram simples, e muitas vezes eu não falava nada, tentava dar conta sozinha. Também tem a questão da cobrança. Às vezes eu sentia que precisava provar o tempo todo que eu era capaz, como se a minha visão pudesse colocar em dúvida a minha capacidade, e isso cansa, porque não é só fazer o trabalho, é lidar com essa pressão silenciosa. Fora isso, tem as situações do dia a dia que continuam acontecendo, como dificuldade com iluminação, ambientes muito claros ou muito escuros, telas, cansaço visual. São coisas que parecem pequenas, mas que somadas fazem diferença na rotina. Ao mesmo tempo, a vida adulta me trouxe algo importante: consciência. Hoje eu entendo melhor a minha condição, sei a importância do acompanhamento, aprendi a me adaptar e, principalmente, a me respeitar. Nem sempre vai ser fácil, mas também não precisa ser um peso o tempo todo. A miopia faz parte da minha vida, mas não define quem eu sou e nem o que eu sou capaz de fazer. E se você está passando por essa fase, tentando equilibrar trabalho, rotina e cuidados com a visão, saiba que você não está sozinho, dá pra aprender, se adaptar e seguir em frente.

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Camila Santos

Eu sou a Camila, criadora do Camilet. Tenho miopia alta desde a infância e compartilho minhas experiências reais para ajudar outras pessoas a entenderem melhor a visão, lidar com desafios e se sentirem menos sozinhas nessa jornada.

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